quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O que vem num vapt sem vupt

Você trazia as moscas. Era, pois – “em certo sentido”, e dizia – e zumbia  (  (sem tocar o piso)  )  feito as moscas. E eu - fixo-fazer – a ambular batendo o pé  (  (mesmo quando cheio de riso ou bunda-sentado)  ) enquanto  friso, num casulo, minha questão se debatando feito bixo preso em pote. Sabia que cê ia e só assim, simples, aquilo se esva –

ia.

Você, embora, estava fotografado lá dentro – “como iria, então?”, você pergunta. Eu pego algo ou outro, ajeito as coisas  (  (abano o ar)  )  e saio – respondo suficientemente bem pra você com o meu gesto, até o ponto de ônibus e aponto a placa: pronto. Volto.

As moscas, as mesmas, me movendo entre suas mandíbulas por não me competer, talvez jamais – afinal não buscava o que me ajudasse a fazê-lo – mascá-las. Mas, “as mesmas?”, ouço. É, afinal, como sabê-lo? As máscaras, asas as libertando – e pareciam poder ser tudo, mais que eu, e isso acabava sendo o que elas são: você. Ali, se empunha permanentemente, cada. Fugia, cozinha, sala elevador: ela lá, e tantas, uma cada vez vinha e junto com outras, me faziam vítima. Não importa onde fosse ou se, com toda força, viesse. Eram tantos ângulos, de tantos pontos de vista as aprendia, ainda assim, era mosca: você. Era máscara.

Pensava que não voltaria ainda hoje, pensava chegar e fazer algo, arrumar talvez vaso, talvez o vidro, as manchas nele. Mas mesmo mudando o ângulo, atentando a algum outro algo, me convencendo visivelmente, sabia que devia sentar e servir um chá, café “ou pedaço de bolo? que tal?” – falava e pra disfarçar ao meu gosto, entoava mais emocionadamente meditando para que me parecesse uma música mais desmedida, falada, menos que se canta quando tem alguém. Não me parecia gentil o canto-reza que fazia em que nada casava daquele modo.

Decidi ser educado, sentar e, aí, pensei: mas porque raios essas moscas, porque ele. E as moscas e ele, ou ele, com as moscas, ou ele-moscas criavam as questões na minha cabeça, afinal, porque os dois? E ficava em silêncio: sentia-me virtualmente deselegante, na possibilidade de falar. Matutava quieto, na solidão quando, sem aviso, vieram vozes “como tanto se indigna sem pensar que, se bem considerar, vem você, ele e as moscas. Ele não vem contigo?”. Aqueles bixinhos-vultos voando eram, ao menos à vista de quem se visa são, os únicos estranhos ali.

caio.gabriel

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